MOÇÃO “Debate Relevante sobre COVID19” – AM Jul. 2020

Intervenção de Graça Simões.

 

MOÇÃO “Debate Relevante sobre COVID19”

Há três ideias feitas que nos desassossegam e que nos fizeram propor –já para esta reunião – que a questão das respostas locais à pandemia fossem aqui discutidas:

  • a 1ª , a de que estamos todos no mesmo barco, de que somos todos muito solidários e de que vai ficar tudo bem;
  • a 2ª, a de que estamos numa situação de emergência, cheia de incertezas e por isso há que confiar nos poderes executivos e nas respostas que decidirem como possíveis e adequadas;
  • a 3ª, a de que temos um governo autárquico de feição socialista, cujas respostas serão decerto relativamente justas, a pensar no bem de todos.

Pois bem, podemos ser todos solidários, mas o nosso conhecimento e a nossa sensibilidade orientam e limitam as nossas perceções e decisões. Temos que as cruzar para ampliar.

A incerteza é certa e a capacidade de resposta tem que ser ágil, mas isso não diminui a necessidade de previsão de cenários, de discussão de visões, de escolha de metas. Isto em linguagem gestionária, claramente insuficiente para tanta precisão de humanidade, mas um ponto de entendimento neste patamar de governação. Queremos confiar nos poderes executivos, mas de dados na mão. Conseguimos supor o grande desvio de investimento, mas temos o direito – e o dever – de perguntar qual foi de verdade o valor da resposta social para compensar a grande desigualdade que terá ficado mais descarnada. Este retrato social é essencial para nos conhecermos – Coimbra – e para nos entendermos. 

E como todos concordaram ao votarem por unanimidade a nossa recomendação, não podemos suspender a democracia, as ideias, a discussão das alternativas que estão sempre lá. Mas os indícios não são promissores. Passadas as primeiras semanas de “ choque” enviámos uma Carta Aberta ao Sr. Presidente do Executivo, partilhando as nossas propostas. Passadas mais umas quantas, pedimos para nos receber e esclarecer. Resposta nula, a confirmar a maioria das expetativas. 

Pois bem, temos um governo de feição socialista, mas tão encapsulado em si mesmo que, mais do que nunca, nos exige firmeza na exigência de clarificação da estratégia e das medidas políticas de resposta à pandemia e firmeza também no compromisso de as pensar e debater no sentido do supremo interesse do território que nos cabe cuidar.

Sabemos já que, sendo uma ameaça global, é em cada território local que a luta se vai decidir. Temos as lições dos Concelhos da região de Lisboa. Urge, portanto, preparar as defesas. Além do contexto regular de constrangimentos estruturais ao desenvolvimento e do contexto de ameaça da pandemia, Coimbra vai ter nos próximos meses uma conjuntura muito especial, determinada pela acumulação de obras públicas – se as virmos finalmente concretizadas – e pelo decorrente afluxo de trabalhadores migrantes. Esta é mais uma variável que só pode ser relativamente controlada se prevista e pensada a tempo, num paradigma realmente socialista de integração do cuidar do bem comum.

Não será fácil, por isso será importante a partilha da responsabilidade no encontro das melhores soluções. Nós, CpC, queremos fazê-lo, por isso aceitámos este adiar do debate para dar tempo a que se faça melhor.

 

ALARGAMENTO DOS CEMITÉRIOS

Percebemos a importância e urgência destes alargamentos dos cemitérios e votaremos a favor. No entanto, apesar de toda a delicadeza da questão, consideramos que é necessário começar a trabalhar na mudança de mentalidades e na adoção de outros processos de preservação da memória familiar que, com a mesma dignidade, não obriguem a sucessivos alargamentos dos espaços de enterramento. A opção dos ossários pode bem oferecer a alternativa, com o devido trabalho de informação e sensibilização por parte das Juntas de Freguesia.

 

Em resposta ao REQUERIMENTO DE AVOCAÇÃO pelo PSD, em relação ao projeto e obras da Estação Velha

A remodelação da estação ferroviária de Coimbra é da maior urgência, pela ligação que poderá permitir ao sistema de mobilidade do Mondego e aos transportes rodoviários de passageiros, públicos e privados, urbanos e interurbanos.

É verdade que nunca a Assembleia Municipal teve oportunidade de debater as soluções que agora assumem aspetos quase definitivos, nas mãos do Infraestruturas de Portugal(IP). A Câmara nunca foi além de uma exibição pública e sumária do projeto, feita há cerca de 2 anos, sessão essa onde colocámos a questão, aliás ainda não respondida pela Câmara, da Gare rodoviária nos terrenos adjacentes à estação.

O PSD e o PPM suscitam agora a questão da ligação à rede de alta velocidade. Importa que a Câmara responda com clareza qual o ponto de situação das negociações sobre esta matéria, já que, recordamos, no final da primeira década e antes das políticas tragicamente restritivas, foram divulgadas várias alternativas para o canal RAV no atravessamento do território do Município.

Resumindo: acompanhamos a exigência de toda a informação sobre estas matérias e do seu debate na AM. Não aceitamos que isso seja confundido com a paralisação da remodelação da estação velha. 

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