Coimbra Não Pode Parar – AM Jul. 2020

Intervenção de Graça Simões.

 

Este é o lema que lançou o CpC numa série de iniciativas “de verão”, dando corpo a uma das tais propostas apresentadas ao Executivo Municipal: na antecipação de um verão diferente, sem grandes festas e ajuntamentos, mas com mais pessoas “em casa”, desmobilizadas pela pandemia das habituais saídas turísticas, a possibilidade e potencialidade de descobrir e valorizar o imenso património concelhio. Já fomos a Torre de Bera, na freguesia de Almalaguês, a São João do Campo e a Cernache.

Queremos apenas dar conta de algumas notas, que nos parecem muito importantes nesta nossa esfera municipal:

  1. A quase invisível mas extraordinária força associativa em algumas comunidades, que resiste e faz diferença na aproximação de pessoas, no sentido identitário e na memória patrimonial. Os pequenos subsídios pontuais apenas as ajudam a resistir, mas não as apetrecham para ampliar o seu impacto na qualidade cultural das comunidades e do Concelho.
  2. Os exemplos de património desprezado, a questionar qualquer ideia de cultura, a desafiar uma ideia de cultura. Veja-se o exemplo da casa de Jaime Cortesão, em São João do Campo, que por pouco mais de uma centena de milhar de euros, não só se evitaria a vergonha de uma ruína no centro da vila, como se poderia concretizar num polo da rede cultural de Coimbra.
    Veja-se o exemplo de Cernache e dos seus moinhos caídos, esquecidos, engolidos pelas casas. Ficou, e muito bem, o Museu. Mas perde-se o fio de uma memória que ainda corre nas levadas pelo meio das casas e que podia ser mais concreta se recuperada e posta a público.
    Veja-se a “Escola do brinquedo tradicional popular” de Loureiro e o potencial que abriga à espera de irradiar cultura.
  3. A vulnerabilidade das gentes rurais no que respeita ao acesso a serviços públicos, refém de decisões economicistas que os cortam na base do número ou de outro qualquer fator desumanizado. É o que aconteceu com a extensão de saúde de S. João do Campo. Fechou, ponto. Mas que palavra deve ter o povo e os seus representantes eleitos? Pelo menos aquela com que se faz a democracia. A mesma com que se quer um Concelho e um País com igualdade de direitos.

Senhor Presidente, Senhores Deputados, olhemos para a riqueza deste nosso território e do Povo que o faz todos os dias. Acreditemos mesmo que Coimbra não é só cidade e que esta só ganha na medida em que dialogar com todo o seu território. Como Capital da Cultura e como território de bem viver.

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