Antes da Ordem do Dia – AM JUN. 2020

Intervenção do CPC, em apoio à Moção “Em Defesa do Hospital Geral Central dos Covões”

– Aprovada com os votos das forças subscritoras – PS, CDU, CpC

 

Chegados aqui, mais dois anos depois, o que podemos concluir? A primeira resposta é que continua tudo na mesma. O Ministério não informa e não decide. A Administração de Saúde e a do CHUC vão decidindo sem dar ouvidos nem contas aos cidadãos e ao poder local. Os partidos políticos continuam a servir-se destas causas para se afrontarem e esgrimirem lutas intestinas, deixando de lado o interesse de Coimbra e da sua região, o interesse da Saúde dos cidadãos.

Há mais de 2 anos que o CpC agarrou esta causa, procurando romper com as duas grandes forças de bloqueio na definição e avanço da solução para a rede hospitalar de Coimbra – os emperramentos partidários, enleados em interesses contraditórios, e a falta de transparência e de democracia, que deixa os cidadãos sem a devida informação para poder ajuizar. Pegámos então na questão da Maternidade, o ponto mais crítico e exemplar dos prejuízos causados pela não decisão – as maternidades existentes estavam em rutura de condições de trabalho e de resposta; as soluções de emergência administrativa mostravam um caminho que se percebia estar inscrito na mesma lógica tecnocrática de concentração, incompreensível para a maioria dos cidadãos. Reforçar e fazer valer a opção da sua construção no espaço do Hospital dos Covões servia também para contrariar a sua desvalorização e esvaziamento crescente, outro dos pontos críticos e de incompreensão generalizada. Fomos para a rua com uma petição, recolhendo o sentir das pessoas, incentivando a participação. Recolhemos cerca de 5000, que entregámos na Assembleia da República. Fomos ouvidos pela Comissão de Saúde e, em Novembro, a petição foi “chumbada”, com a abstenção do PSD, do CDS e do PAN e com os votos “contra” do PS; os 5 deputados do PS eleitos por Coimbra refugiaram-se na abstenção.

Entretanto fizemos um debate com deputados da Assembleia da República, no qual o Sr. Administrador do CHUC esteve presente, prometendo divulgar os estudos e planos funcionais para a Maternidade e para os Hospitais no global. Entretanto, fomos convocados pela Sra Ministra da Saúde, que se comprometeu a mandar fazer um estudo da alternativa da Maternidade nos Covões e a divulgar todos os estudos e planos.

Chegados aqui, mais dois anos depois, o que podemos concluir? A primeira resposta é que continua tudo na mesma. O Ministério não informa e não decide. A Administração de Saúde e a do CHUC vão decidindo sem dar ouvidos nem contas aos cidadãos e ao poder local. Os partidos políticos continuam a servir-se destas causas para se afrontarem e esgrimirem lutas intestinas, deixando de lado o interesse de Coimbra e da sua região, o interesse da Saúde dos cidadãos.

Para nós, CpC, é claro que existe uma linha de separação nítida nas opções políticas quanto à Saúde e que é a defesa e melhoria do SNS. Em Coimbra, onde o campo de negócio na área é tão fértil, é preciso estar atento, não ser ingénuo perante discursos argumentativos da suposta superioridade técnico-científica de alguns, inacessível ao comum dos cidadãos. A qualidade dos serviços de saúde mede-se pelo avanço e quantidade dos equipamentos, pelo mérito e excelência dos profissionais, mas também pelo nível de acesso de toda a população. E por isso continuaremos a lutar por todas as medidas que o garantam, seja a hiperconcentração de gestão empresarial, atenta nos números, esquecida das pessoas, seja a redução de recursos que se traduza numa construção de uma imagem de má qualidade do serviço público, abrindo o campo ao investimento privado.

Assim, e perante as duas moções aqui propostas, temos a declarar que:

1º – a Cidade e o Concelho, agora muito mais despertos para esta questão,  não compreenderão que os seus representantes nesta Assembleia não se tenham entendido ainda de modo a viabilizar e a exigir as soluções;

2º não pactuamos e rejeitamos em absoluto a instrumentação desta Assembleia como arena estéril de jogos e  lutas partidárias, porque aqui se devem defender os interesses de Coimbra.

 

Graça Simões

AM 29-06-2020

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