Aqui Recursos e Pessoas. Falta o quê?

Sábado de chuva. Miudinha.

A Cidade prepara-se para o inverno, confiante ainda na regularidade das estações do ano. A natureza vai-se acomodando, cumprindo a sua função, tanto quanto pode.

E numa urbanização nova, arejada, bem aberta, conhecemos cidadãos cheios de vida que também querem a primavera para a nossa cidade. Nos seus apartamentos confortáveis, cheios de luz, cheios de crianças, cheios de esperanças, esmorecem e não entendem por que não se cuidam os espaços que veem das janelas, que se atravessam nos seus caminhos quando querem usufruir daquilo que era promessa ao escolherem ali viver.

E de facto não se entende tanto desperdício. Estamos na encosta do Pinhal de Marrocos (entre as ruas José Marques Dias Ferreira e a rua Luís Carlos Silva), uma das zonas mais recentemente urbanizadas da cidade, com alguma harmonia das construções, habitada predominantemente por casais jovens, que trabalham e contribuem para o bem público e que já assumiram que a cidade não se faz só de casa e trabalho e de convívio noturno. Querem ter natureza perto, jardins, espaços de respirar, contemplar, repousar ao ar livre. Ali havia e há condições excelentes para se concretizar esta forma de estar na cidade, mas, inexplicavelmente, o que encontramos no meio desta urbanização é uma grande casa antiga, em ruínas, envolta em silvados e, pasme-se! um extenso espaço de lazer e de ligação em patamares, com fontes e um lago enorme, onde resistem peixes e plantas aquáticas… Tudo bem concebido, mas completamente abandonado. 

Como pode uma Cidade desperdiçar este recurso? Como pode uma Câmara Municipal ignorar que não bastam “startups”, empresas tecnológicas e empregos qualificados para atrair população jovem, ativa e criativa de que tanto precisa? Os estudos confirmam o que o bom senso não ignora – a qualidade de um lugar e a sua capacidade de atração faz-se pela sua capacidade de acolher, de valorizar as diferenças, de assumir os valores de bem-estar que hoje chamam pela natureza, criando condições de identificação das pessoas com as suas comunidades.

Ali, como em outros locais da cidade, tudo espera para que isto aconteça. As pessoas estão lá, dão conta da falta e querem participar. Alguém quer ouvir? Alguém quer ver? Alguém quer intervir? 

 

Graça Simões

Deputada Municipal, CpC – Cidadãos por Coimbra

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