Antes da Ordem do Dia

Em Abril, esta Assembleia aprovou por unanimidade a recomendação “Mais Árvores a para Coimbra”. O CpC fez fé na bancada do PS e introduziu na sua moção a ideia de continuidade – sim, a CM tinha já um Plano de Arborização da Cidade e por isso bastava vincar a importância da sua implementação e a necessidade da sua apresentação e monitorização por esta Assembleia. 

Aprovada a Moção, quisemos conhecer o Plano. Não foi simples, mas conseguimos perceber que o tal Plano abrangia duas ruas de Coimbra! Continuámos o nosso trabalho de divulgação da janela de oportunidade aos cidadãos de Coimbra, informando que a CM precisava de ajuda para construir o tal Plano e, sobretudo, para fazer a diferença prática e mostrar que estava mesmo empenhada em tal projeto.

Pois bem, o que esperávamos hoje era conhecer o tal Plano Melhorado, até porque com a reorganização dos Departamentos pareceu-nos que talvez a tal janela de oportunidade se abrisse mais um pouco. Mas não. Afinal, parece que tudo não passou de folhas secas, palavras ocas. O tempo das plantações está aí, o ICNF tem milhares de árvores para oferecer e nada parece sair dos burocráticos gabinetes.

Mas pior, foi o que todos constatámos em pleno Agosto, quando muitas vozes aflitas denunciavam – e nós fomos ver- uma desmatação e derrube violentos no vale de S. Domingos, fazendo desaparecer uma área verde entre ruas altamente urbanizadas. Era propriedade privada, sim senhor, mas a CM, além de não mostrar a sua responsabilidade reguladora, acabou mesmo por desvalorizar o incidente e justificar com a necessidade de limpeza dos terrenos. Estava à vista – não foi limpeza, foi derrube arbitrário e selvagem de árvores de grande porte, revolvimento de terras sem acautelamento da segurança dos prédios, intromissão desregulada em veios de água sem acautelar consequências.

Além da destruição da área verde, as preocupações dos cidadãos logo se vestiram de suspeições, naturais num quadro geral e habitual de falta de transparência e de respeito pelo cidadão comum. E as suspeições fazem sentido, porquanto se enleiam em rumores vários e antigos, nunca clarificados, de que ali passaria mais uma avenida, bem ao jeito de mais uns tantos interesses imobiliários. Observando a área, perspetivando o desenvolvimento urbano da cidade e a necessidade de melhorar os escoamentos de trânsito e acessibilidades de ruas tão densamente edificadas e sem saída que ali se deixaram crescer, parece pertinente equacionar uma via que ligue Celas às vias periféricas e saídas da cidade. No entanto, nunca esta opção poderá anular aquele corredor verde e permitir mais edificações. Além de um planeamento cuidado e transparente assente neste princípio, será absolutamente necessário dar a palavra aos cidadãos ali moradores, respeitando características tão significativas como, por exemplo, as dos bairros da Conchada e da rua Frei Tomé de Jesus: abrir passagem, melhorar a segurança, mas preservando sempre o bem-estar dos moradores e o equilíbrio da cidade.

Este caso, sendo um exemplo e alerta para a não confiabilidade na Câmara Municipal quanto às políticas de arborização e cuidado com os espaços verdes, com que ficou comprometida com a Recomendação desta Assembleia, é também uma boa oportunidade para que se clarifiquem os propósitos urbanísticos naquele espaço. Esperamos que o Sr. Presidente concorde connosco.

Finalmente, um mais um dia de Greve Climática, com os jovens daqui a pouco à nossa porta, não perdemos tempo com discursos de circunstância, nem alimentamos polémicas estéreis. Estamos aqui para insistir que o problema é da Humanidade, que a causa é de todos os que o consigam entender e que as soluções exigem respostas políticas consistentes, continuadas e determinadas. Mas se global é local, o local é também global. Peguemos no que é simples e que sempre temos vindo a exigir: plantemos árvores, reguemos as árvores, apostemos no transporte público e na mobilidade saudável, cuidemos da limpeza, da harmonia urbana e do bem-estar social, acreditemos na transparência e na participação cidadã, arejemos ideias e soltemos “o sempre foi assim”.

Sr. Presidente, senhores deputados,

Proponho que se interrompam os trabalhos e que nos juntemos aos manifestantes pelo clima quando aqui chegarem à Praça; propomos ainda que o Sr. Presidente convide uma delegação dos manifestantes para usar da palavra nesta Assembleia.

É apenas mais um gesto simbólico, claro, mas precisamos de símbolos para dar conta do nosso comprometimento.

 

AM Coimbra – 27 setembro 2019

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s